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Fazer aniversário é estranho!

O dia do meu aniversário nos últimos anos tem sido meio diferente dos anteriores. Acho que porquê eu comecei a analisar algumas coisas que antes não analisava, acho que amadureci: pretensões a parte!

Você acorda de manhã com todo mundo te parabenizando, e o que antes era motivo pra ficar todo besta, torna-se motivo pra uma interrogação: Pra quê esse povo todo tá me dando os parabéns? O que eu fiz de bom no último ano?

Meu hábito de escrever tem sido a cada dia mais efetivo em minha vida, desde que comecei em 2007 quando tinha ainda meus 16 anos.

Atualmente, o termômetro das mudanças na minha personalidade tem sido a comparação dos textos antigos com os novos, as atitudes antigas com as novas, enfim, o pensamento antigo com o pensamento novo, isso prova que a minha mentalidade mudou demais.

E posso afirmar com certeza: o último ano trouxe muitas desilusões, muitas mudanças emocionais, realizei sonhos antigos, sonhei novos sonhos, conheci gente iludida e desiludida, comecei a trabalhar, me formei e já estou virando um homenzinho.

Estou ficando velho e dou graças a Deus por isso.

Que venham as novas batalhas e que as derrotas fiquem perdidas entre as nostalgias das minhas boas lembranças.

Clique no play pra ouvir uma das minhas composições mais cabíveis pra ocasião do meu aniversário.



E sejam felizes, meus nobres leitores!

Memórias do céu

Quando lembro dos teus olhos
Lembro-me do brilho da lua que é refletido neles
Posso sentir em meu coração
A nossa noite iluminada

Me vejo em teus lábios
Procuro neles, todas as palavras que ensaio
E posso ser-lhes devoto
Por quanto eu viver

Tuas mãos entre as minhas
São quarteto triunfal
Nossos corações entrelaçados
Como em nossas mãos
E em nossos ouvidos
A soar uma melodia eternal

Como se o rio a deslizar cabeceira abaixo
E os pássaros a voar lives céu a cima
Juntos fizessem o canto dos céus
És o que preciso

Não há nada como uma família feliz

Hoje conclui uma coisa: Não posso sentar na frente da televisão para assistir jornal. Eles passam uns0 trem de gripe suína, todo mundo tem que usar máscara, todo mundo vai morrer se não usar, mas eu nunca usei e to vivo até hoje.Diga-se de passagem.Quem me ouve assistindo Jornal provavelmente pensa que eu estou assistindo um jogo de futebol de tanto que eu xingo e fico puto da vida. Ainda me pergunto por que eu gasto energia com isso!
Hoje o jornal foi uma bosta e o que mais me fez rir foi um vídeo de Michael Jackson em casa fazendo média com os filhos e diga-se de passagem que eu duvido que aquele fosse um vídeo de família, porque ele tava vestido com aquelas roupinhas trixas com as quais ele fazia shows e seus filhos pareciam anjinhos, o que provavelmente é impossível , pela idade deles, a não ser que estavam drogados. Enfim, a parte mais cretina do Jornal foi o momento que precedeu o vídeo de Michael com os filhos, o repórter voltou dizendo: “ Nada melhor do que uma família feliz”. Eu fico imaginando o diretor dele mandando ele falar aqui: Se você não falar está demitido, seu ANIMAL.Ele exclamou a frase com uma cara de ...(use sua imaginação), que eu pensei até que ele tivesse anunciando a morte da própria mãe, cretinisses a parte. O mais legal, será as piadinhas que os seus colegas jornalistas, que não são muito burros, vão fazer em off. Eu queria ser um mosquitinho pra ver...hahaha...

Parabéns ao Jornalismo humorístico da Band, que está alargando as fronteiras.

Cheguei quase ao retardo mental do jornal, só poupei vocês, nobres leitores, das legendas.
cretinas:



Inté!

Por Ítalo Chesley

A norma (o)culta no ciberespaço

Ítalo Chesley


“...o homem soube ler antes de saber escrever ou, querendo formular esta tese de uma maneira menos histórica, o ato de escrever tem origem no ato de ler, a partir do momento em que se aprende a escrita na sua etimologia (gravar, fazer uma marca)...”
(Barthes e Marty, 1987)


Como poderemos formar (e não deformar) bons leitores e educadores para o futuro que já acontece? O que fazer para estimular a inteligência e o compartilhamento dos conhecimentos que habitam em cada um? Como, no ambiente educacional básico, fazer com que a intelectualidade seja desenvolvida e as regras da escrita sejam cumpridas sem preconceitos?
Atualmente, com a tecnologia da informação e conectividade, o âmbito da expressão de pensamentos se tornou um incêndio muito mais alastrado do que era anteriormente. Agora, além de uma abertura para a expressão muito maior, nos deparamos com formas muito mais fáceis e baratas de publicá-las que outrora.
Há, em instituições de ensino ou mesmo em outras instituições sociais a discussão a respeito da deformação da escrita causada pela praticidade e entretenimento generalizado pelos novos meios de comunicação que vieram com o ciberespaço.
A discussão que proponho é maior do que apenas tocar no assunto das normas da escrita sendo supostamente ignoradas pelos cibernéticos. É fazer entender que há nisso uma grande vantagem: de fazer expressar os pensamentos de forma democrática e remediável no tocante aos princípios e normas da língua que não serão deturpados e sim considerados importantes e valorizados, tendo em vista que o compartilhamento de idéias deve ser concebido num nível mais alto, e obedecendo as regras, quando o seu objetivo é maior e o desejo de quem o concebe é mais audacioso.
Podemos exemplificar da seguinte forma: Um texto cuja finalidade é divulgar algum evento ou produto na internet. O mesmo deve seguir os princípios da língua para que a sua finalidade seja alcançada, senão, os seus autores poderão perder (e muito) com o descumprimento das regras. Em contrapartida, os blogs, por exemplo, têm uma diversidade muito maior de usuários, abordagens e objetivos. Exemplos disso são blogs como o de Diogo Mainardi, escritor de artigos de opiniões da revista Veja, que por mais que seja um blog, segue o padrão da norma culta devido ao seu papel social, o que nem sempre acontece com blogs de outros internautas que não tem o mesmo papel social e que apenas querem se expressar ou divulgar, num espaço próprio, do ciberespaço o que viram de interessante e gostariam de compartilhar com determinado grupo. E o mais incrível em tudo isso: Podemos contemplar essas e diversas outras formas de expressão no mesmo espaço.
Não adianta, na sociedade contemporânea, tentar convencer alunos de escolas públicas ou privadas do dever em cumprir as regras sem compreensão ou discussão alguma, pois esboçará diante dos olhos dos discentes um equívoco da arbitrariedade em relação às regras, gerando assim maior resistência às normas gramaticais levando-os apenas a decorá-las para prova de português e esquecê-las rapidamente.
É preciso abrir a cortina do teatro para que o espetáculo do conhecimento e a sua democratização comecem a valorizar o conhecimento que todos tem e não apenas o que os seus diplomas dizem que eles têm.
Estamos na era da obediência às regras por poder questioná-las e entendê-las, e não somente adotá-las sem nenhuma compreensão.
O conhecimento pode e deve ser compartilhado sem receio, principalmente nesse momento capitalista em que ele vem gradativamente tendo mais valor.
Por esse ponto de vista, começamos então a difundir uma discussão e associação dos conhecimentos muito mais acessível a todos nós e cada um poderá ver claramente o conhecimento de que dispõe como nos brasões criados por Pierre Lévy , podendo assim, canalizá-lo e colocá-lo à disposição de quem que se interesse, utilizando inclusive o próprio ciberespaço como uma forma de patentear e validar o que se deseja compartilhar.
Portanto, a liberdade de expressão é (in)dependente das regras, porque as idéias, apesar de não necessitarem de regra alguma para serem defendidas, ao mesmo tempo precisam das regras para que hajam nelas inteligibilidade e coerência , no entanto, é impossível inserir regras e fazê-las úteis sem antes estimular o conhecimento propriamente dito. No frigir dos ovos, cada um que quiser expor seu pensamento de forma que haja nele credibilidades, deve conhecer as regras e reconhecer a sua necessidade no compartilhamento das informações.
É muito útil conhecer as regras, todavia, é melhor conhecê-las sabendo onde aplicá-las para agregarem valor ao compartilhamento e assimilação do conhecimento. O que trará excelência a quem recebe e multiplicará o conhecimento de quem compartilha.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

BARTHES, R. e MARTY, E. Oral/Escrito, in Enciclopédia Einaudi, vol. I. Lisboa: Imprensa Nacional, pp. 32-57, 1987.

LÉVY, Pierre. As árvores de conhecimento. 2. ed. São Paulo: Escuta, 2000. 188 p

E esse trem de tá xonado?

Ficar apaixonado é uma coisa extremamente estranha.
Vamos analisar pessoas de várias personalidades, em situações de uma pontiaguda e, em suas medidas, insuportável paixão.Lembrando que isso é partindo de uma opinião generalizada pessoal tomada por mim:

Um micareteiro, quando fica apaixonado não corre muitos riscos sentimentais, apesar de se expôr bastante nos meios mais comuns atualmente. Do mesmo jeito que ele enche o orkut de fotos, ele pode tirá-las de lá quando terminar com a menina, ou menino, e depois tudo fica bem. Os dois saem do relacionamento sem nenhum rancor e seguem suas vidas como se nada tivesse acontecido antes. A primeira vista essa é a melhor forma de se sair de um relacionamento, mas demonstra que ele não era tão profundo como aparentava ser.

Um empresário, administrador, cuidadoso, passa tempos e tempos para decidir começar a namorar com alguém. Ele administra a relação, mantém o respeito e vai levando devagar e sempre. Quando o relacionamento termina, demora começar outro. Tira um tempo para arejar a cabeça, espairar os pensamentos. Justamente porque mesmo devagarzinho ele foi entrando no relacionamento. E de uma forma exata se convenceu de que aquela era a pessoa, imagino que quando sai, demora pra se convencer de que nada era como ele pensava, senão, o relacionamento não acabaria.

Um romântico, inexperiente, deslumbrando, mergulha num relacionamento de cabeça. Não tá nem aí se vai se machucar, se o lado de lá está se sentindo como ele, mas ele vai, e na maioria das vezes, se machuca profundamente, ficando assim, cada vez mais maduro e cuidadoso em seus relacionamentos.

Os nerds, quando se apaixonam, começam a criar milhares de teorias racionais sobre o amor. Começam a agir como se a paixão fosse uma matéria cujo assunto está sendo objeto de uma pesquisa científica e se aprofundam tanto quanto os românticos, inexperientes e deslumbrados.

Esse negócio de estar apaixonado não é uma coisa que se consegue separar, tipo: vida pessoal e trabalho. Como você vai passar o dia todo sem dedicar nem um pensamento àquela pessoa que você diz amar? Quem pode afirmar que quanto tá apaixonado as coisas não mudam, seu olhar não brilha mais, a agonia é mais aguda, o pensamento voa mais alto e os sonhos são mais bestas do que eram outrora?

E quem vai ser o corajoso capaz de dizer que se apaixonar não é uma das melhores coisas que pode acontecer na vida de alguém?

Senhoras e Senhores, obrigado por ler a postagem!

E não me digam que ela ficou parecendo horóscopo!

Até mais!

Por Ítalo Chesley

Encontros




Encontre alguém que nunca te abandone e confie tanto que nunca duvide de você
Alguém que não te decepcione com palavras inúteis e desculpas esfarrapadas que não fazem sentido pra nenhum dos dois.
Invista seu tempo em conquistar alguém que valorize e entenda o que você sente, pois, muitos dizem entender, mas quando
te abandonam demonstram que não entenderam nada.
Não espere que esse alguém venha atrás de você, e não corra atrás dele também.
Aos encontros, abrimos uma excessão e chamamos de coincidência, mesmo que tenham sido
marcados.
O segundo, décimo, centésimo encontro é sempre fruto de um primeiro.
Então, nunca perca a essência do primeiro encontro, o encanto do primeiro olhar, a beleza do primeiro sorriso,
a magia do primeiro beijo, a dor da primeira despedida, a alegria do reencontro o aprendizado do adeus.

Os encontros mesmo desencontrados são importantes, pois, cada segundo é uma nova lição, e cada pessoa como um livro.
A sua vida uma redação sem rascunho da qual você não sabe o número de linhas, mas de qualquer forma tem que escrever.
Portanto, use os melhores versos, aproveite cada espaço em branco pra belas imagens, não esqueça de numerar as páginas
pra encontrar algo importante depois e dedique-a a alguém que realmente é importante pra você.

Autor: Ítalo Chesley Gomes da Silva

Um Conceito de Amor

O amor é uma obra de arte. Sua pureza e ternura são livres de todo o aprendizado do restante da vida.Sua beleza é inexperiente e profunda, fruto da sinceridade esperta e lenta que vai se esvaindo com as decepções com as quais a vida nos presenteia.
O tempo dá forma à ingenuidade do amor, lapidando o diamante cujo valor é imensurável e ao mesmo tempo tão simples.
Nem tudo o que é complexo demais é alvo de atenção. A física quântica, geometria espacial, constituições, emendas e etc; são em suas medidas elitizadas, mas o amor... ah o amor é o retrato da simplicidade que pode brotar em qualquer coração.Seja rico ou pobre, negro ou branco, oriental ou ocidental, ou mesmo que seu coração já esteja entre as últimas batidas.
Pode-se ainda ouvir o som do amor que vai tecendo a sua melodia sublime e tornando belos os últimos suspiros da vida e tornando-os inesquecíveis pra quem fica, e assim fazendo especial mesmo que vá, assim como foi quando chegou. A força do amor atravessa as fronteiras da morte, e preserva cada lembrança por nós recolhida em todo o tempo do qual perdemos todo o controle.
O amor pode trazer de volta o brilho ao olhar de um cego, e melodia aos ouvidos de um surdo. Uma canção a uma língua que nada diz e exalar o melhor perfume a um olfato defeituoso.
O amor floresce por dentro; brota do profundo da alma. Sai quebrando as barreiras da nossa limitada existência e faz o coração bater mais forte e entender cada batida como a perfeição perfeita, o que a torna ainda mais forte. Não pela força do seu cintilar, mas pelo impacto que causa na nossa vida. O amor jamais acaba.

Obrigado por ler a postagem

Italo Chesley

Comentários cretinos a parte

Boa noite senhoras e senhorees.

Na última semana a minha cidade, Governador Valadares, passou por momentos muito interessantes sob a minha perspectiva de observação: a crítica.

Segunda feira, estávamos trabalhando tranqüilamente, quando em pleno Centro da cidade começamos a ouvir barulhos de explosões. Desgarrados que somos, nem nos preocupamos com aqueles estrondos atípicos nos fins de tardes de segunda feira e só na quarta feira fomos saber que era um treinamento do corpo de bombeiros através da afiliada (cretina) da rede Globo em Governador Valadares, publicação que foi contra os meus conceitos: seria aquela publicação notícia ou publicidade para o Corpo de Bombeiros? Se fosse notícia, não deveria ser veículada na segunda a noite ou terça feira no máximo? Mídia "maravilhosa" temos por aqui: no Brasil, em Minas Gerais, em Governador Valadares. Aversões a parte (risos).

O valor das passagens do sistema público de transporte aumentou de R$ 1,80 para R$ 2,00. O que para a prefeita não faz a menor diferença, tanto não faz que ela, libertariamente, permitiu o aumento, considerado POR MIM, abusivo no preço das passagens pra população que, em sua maioria, ganha um salário minimo e agora vai ter que arrancar a roupa de um santo pra vestir o outro, senão, não vive também. É até engraçado.
O que a mídia disse a respeito do assunto, foi que a prefeitura amenizou o aumento, que seria de 23% e, por causa dela, caiu para 11%.

Eu fico imaginando a reação do poder executivo quando soube do aumento no preço das passagens, eles devem ter dito: " E eu com isso? Eu por acaso ando de ônibus?"

Hahaha...

Os formadores de opinião por aqui vão de mal a pior e população, inclusive eu que faço parte dela, só faz lamentar e lamentar.

Na próxima eleição, vão lá e votam neles.

É até engraçado!

O CORVO

Original de Edgar Allan Poe
Traduçao: Fernando Pessoa

Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de alguém que batia levemente a meus umbrais
«Uma visita», eu me disse, «está batendo a meus umbrais.
É só isso e nada mais.»

Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro,
E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais.
Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada
P'ra esquecer (em vão) a amada, hoje entre hostes celestiais —
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais,
Mas sem nome aqui jamais!

Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo
Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais!
Mas, a mim mesmo infundindo força, eu ia repetindo,
É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais;
Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais.
É só isso e nada mais».

E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante,
Senhor, eu disse, «ou senhora, decerto me desculpais;
Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo,
Tão levemente batendo, batendo por meus umbrais,
Que mal ouvi... E abri largos, franquendo-os, meus umbrais.
Noite, noite e nada mais.

A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,
Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.
Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,
E a única palavra dita foi um nome cheio de ais —
Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais.
Isto só e nada mais.

Para dentro estão volvendo, toda a alma em mim ardendo,
Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais.
Por certo», disse eu, «aquela bulha é na minha janela.
Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais.»
Meu coração se distraía pesquisando estes sinais.
É o vento, e nada mais.

Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça,
Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais.
Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento,
Mas com ar solene e lento pousou sobre meus umbrais,
Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais.
Foi, pousou, e nada mais.

E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura
Com o solene decoro de seus ares rituais.
Tens o aspecto tosquiado», disse eu, mas de nobre e ousado,
Ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais!
Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais.»
Disse-me o corvo, «Nunca mais».

Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro,
Inda que pouco sentido tivessem palavras tais.
Mas deve ser concedido que ninguém terá havido
Que uma ave tenha tido pousada nos seus umbrais,
Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais,
Com o nome Nunca mais.

Mas o corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto,
Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais.
Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento
Perdido, murmurei lento, «Amigo, sonhos — mortais
Todos — todos lá se foram. Amanhã também te vais.
Disse o corvo, Nunca mais.

A alma súbito movida por frase tão bem cabida,
Por certo, disse eu, são estas vozes usuais.
Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono
Seguiram até que o entono da alma se quebrou em ais,
E o bordão de desesp'rança de seu canto cheio de ais
Era este Nunca mais.

Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura,
Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais;
E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira
Que qu'ria esta ave agoureira dos maus tempos ancestrais,
Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais,
Com aquele Nunca mais.

Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo
À ave que na minha alma cravava os olhos fatais,
Isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando
No veludo onde a luz punha vagas sombras desiguais,
Naquele veludo onde ela, entre as sombras desiguais,
Reclinar-se-á nunca mais!

Fez-me então o ar mais denso, como cheio dum incenso
Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais.
Maldito!, a mim disse, deu-te Deus, por anjos concedeu-te
O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais,
O nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!
Disse o corvo, Nunca mais.

Profeta, disse eu, profeta — ou demónio ou ave preta!
Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais,
Dize a esta alma entristecida se no Éden de outra vida
Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais,
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!
Disse o corvo, Nunca mais».

Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!, eu disse. Parte!
Torna à noite e à tempestade! Torna às trevas infernais!
Não deixes pena que ateste a mentira que disseste!
Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais!
Disse o corvo, Nunca mais.

E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda
No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais.
Seu olhar tem a medonha dor de um demónio que sonha,
E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão mais e mais,
E a minh'alma dessa sombra, que no chão há mais e mais,
Libertar-se-á... nunca mais!

O embarque

Estou embarcando para casa
Voltando para a vida ou correndo pros braços da morte
Sei lá...na verdade sei
Alguém me espera de braços abertos
Não sei se a vida ou morte. Alguém espera!

Posso ser abraçado ou esmagado
Posso ser liberto ou preso pra sempre
Nem sei se sempre é pra sempre fora do tempo
Só sei que estou embarcando
E apesar de saber pra onde ir
Não sei em qual curva ficar

Nossa desigualdade é igual
Ela no livro e eu na escuridão
O livro é sinônimo de luz
E a escuridão, literal - as luzes estavam apagadas

Nesse momento estamos invertidos
Ela no escuro tentando dormir
Eu no claro tentando esquecer
Daqui a pouco eu fecho esse bloquinho
Ela já estará dormindo, provavelmente
E eu vou continuar me perguntando
do por quê se passaram tantos dias e nada aconteceu
E o ônibus continua no seu balanço cotidiano
Como se ele pudesse escolher me roubar o sono.