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Pontualidade do Indesejado

Faça suas juras de amor
Aposte as fichas que você tem
Não deixe nada nos bolsos
Nem amor, nem palavras, nem desejos

Tudo o que a vida te deu
Tudo o que já aconteceu com você
Daqui a pouco pode se tornar pó
Pode se tornar amarga lembrança

Permita que os outros digam
Que eles demonstrem
Que te amem
Que realizem os seus sonhos

Não engavete nenhum de seus planos
Não esqueça nenhuma das poesias
Não perca nenhuma das canções

A sua mente é limitada
Seu pensamento sobre o futuro é falho
Pode ser que a morte seja mais pontual do que pensava
Nesse caso, o que vai ser?

Obrigado por ler a postagem
Por Ítalo Chesley

Palavras Avulssas

Há tanto tempo eu não posto nada que escrevi exclusivamente para postar no blog, estou até estranhando escrever agora.

Ultimamente andei lendo livros de autores atuais na tentativa de quebrar um pouco o preconceito que tenho com eles, porque detesto que as pessoas tenham esse preconceito comigo.Minha lista de atualidades literárias começou com o livro intitulado Eu sei que vou te amar cujo autor é Arnaldo Jabor, um dos melhores e mais inteligente comentaristas da atualidade, na minha opinião. Já tinha lido textos desse cara antes e não me decepcionei com o livro. A estória é interessante, envolvente e ao mesmo tempo simples e acolhedora. Demorei dois dias para ler, tempo record, embor ao livro seja pequeno: apenas 133 páginas.
Para tirar a dúvida sobre a qualidade do texto, emprestei-o a um amigo que leu em apenas uma tarde, o que comprovou que o livro é bom pra caramba e me preparava a cada minuto mais para quebrar o preconceito com a literatura dos vivos.

O segundo livro que li foi O monge e o Executivo de James C. Hunter, que não é, na minha opinião, a Coca Cola toda que diziam por aí a seu respeito, mas é um livro bom e fácil de ler.Totalmente diferente de Eu sei que vou te amar, sem dúvidas!

Entre essas duas obras atuais, não resisti e peguei na biblioteca O Estudo em Vermelho, de Sir Arthur Conan Doyle, que me matou a saudade da literatura do século passado, da qual eu não consigo me desgarrar de jeito nenhum.

Agora, estou lendo um livro de Luis Fernando Verissimo intitulado As Mentiras que os Homens cantam. Li apenas o início mas achei-o ótimo e vale a pena conferir também.

Qualquer um dos livros citados nesta postagem são boa leitura garantida. Digo aos nobres senhores que me visitam minha caixinha de pensamentos: Nunca deixem de ler.Nunca! Os livros sempre têm alguma coisa que você não sabia e precisa saber o mais rápido possível.

Obrigado por ler essa postagem

Por Ítalo Chesley

A carta da posteridade

Por Ítalo Chesley

Deixe-me dizer algumas palavras
Meu amor, cuja morte antecedeu em muito tempo a minha

Todos os passos que dei em sua ausência
Foram para vingar a sua morte
E provar para eles
Que nosso amor transcede as fronteiras da vida

Nosso amor é mais que amor
E eu te amo como se tivéssemos nos encontrado num deserto
Te amo como se tivessemos passado anos e anos juntos
Como se ainda lutássemos juntos contra as inteperes da vida

Jurei, pelo sol que me ilumina
Pela noite que me derrota
E pela lua que me traz a sua falta

Vinguei sua morte
Dei cabo da vida dos infelizes que te levaram de mim
Eu sei que você morreu de desgosto
Morreu de amor, de amor por mim
E eu de amor por ti
Por não podermos ficar juntos em vida

Minha sina foi te amar
E é por isso que eu vivi
Os matei e morri num cárcere em trevas por isso
Mas hoje estou junto a ti
Trouxe esse anel, que tomei do seu dedo às vésperas do sepulcro
Durante toda a minha vida olhei para ele
E deslumbrei-me com a beleza da lembrança que me trazia:
Você, a linda que eu sempre soube amar

O sonho da Flor Branca

Era uma tarde estranha de sexta feira. Depois de um telefonema, subi as escadas lentamente em busca daquele quarto reservado, limpo, quase pronto.A porta dele estava trancada, eu o tinha reservado pra receber alguém que estava por vir e eu esperava ansiosamente. Era o dia!
Abri a porta e podia ver no canto direito uma escrivaninha, com um espaço reservado a livros e um computador portátil. Ao seu lado, uma televisão de 14 polegadas e na outra parede uma cama com um criado ao lado. A cama estava carinhosamente forrada com uma colcha branca e um simpático travesseiro , e em cima do criado, tinha um pequeno relógio. Estava tudo quase pronto para te receber, só faltava uma coisa: O livro que você estava lendo, talvez o esquecesse, logo, eu precisava de uma cópia dele no quarto. Providenciei.Lembro até seu título :Minúsculos Assassinatos e Alguns Copos de Leite.Apeguei-me aos detalhes, porque a lembrança se apóia neles para nos trazer os grandes momentos que seguirão neste breve relato.
Era perto das dezoito horas quando saí de casa ao seu encalço. Eu mal podia acreditar que você chegaria. Mas, você estava aqui. Aqui! Perto de mim.
Subimos as escadas até o quarto anteriormente descrito.Eu inconstante e ansioso por medo de você não gostar dos aposentos que lhe havia reservado, mas nós fomos. Eu lhe abri a porta e quando você viu o livro, virou pra mim com um olhar íntimo e disse: “ Você se lembrou até do livro”.Mostrei-lhe meu sorriso, o banheiro, as toalhas na gaveta e tudo o que havia preparado pra você. Desci as escadas pensando nas próximas palavras que diria e no que faria pra você.
Quando subi, dei com você distraída na sacada a olhar a performance sincronizada das andorinhas. Estava de costas pra mim, não resisti: tive que ficar te olhando um pouco. Seus cabelos cacheados, sua roupa arrojada, chinelos de dedo nos pés, você estava a vontade.Eu fui dando passos vacilantes pra me aproximar de você, parei do seu lado colocando cuidadosamente a mão direita na sua cintura, como a ensaiar um abraço respeitoso.Você olhou assustada e aliviou o olhar ao perceber que era eu. Conversamos alguns minutos sobre assuntos literários e de repente, pairou um silencio providencial entre nós. Aproximei, vacilante, meu rosto do seu e você convicta me beijou os lábios rapidamente como se dissesse com teu ato: “Eu quero que você me beije mais um pouco”. Eu, agora seguro, te abracei e me deleitei em seus beijos por alguns segundos.Juro, no momento em que eu descia as escadas do sonho, não arquitetei nenhum dos meus atos, eles simplesmente aconteceram como se não fizessem parte de mim. Depois disso, acordei do sonho, vi-me como se estivesse descendo do avião que me trouxe do paraíso e só fiz lembrar-me dele até agora.Há muito não sentia meu coração bater tão forte.

Annabel Lee

(de Edgar Allan Poe)

Foi há muitos e muitos anos já,
Num reino de ao pé do mar.
Como sabeis todos, vivia lá
Aquela que eu soube amar;
E vivia sem outro pensamento
Que amar-me e eu a adorar.

Eu era criança e ela era criança,
Neste reino ao pé do mar;
Mas o nosso amor era mais que amor
O meu e o dela a amar;
Um amor que os anjos do céu vieram
a ambos nós invejar.

E foi esta a razão por que, há muitos anos,
Neste reino ao pé do mar,
Um vento saiu duma nuvem, gelando
A linda que eu soube amar;
E o seu parente fidalgo veio
De longe a me a tirar,
Para a fechar num sepulcro
Neste reino ao pé do mar.

E os anjos, menos felizes no céu,
Ainda a nos invejar...
Sim, foi essa a razão (como sabem todos,
Neste reino ao pé do mar)
Que o vento saiu da nuvem de noite
Gelando e matando a que eu soube amar.

Mas o nosso amor era mais que o amor
De muitos mais velhos a amar,
De muitos de mais meditar,
E nem os anjos do céu lá em cima,
Nem demônios debaixo do mar
Poderão separar a minha alma da alma
Da linda que eu soube amar.

Porque os luares tristonhos só me trazem sonhos
Da linda que eu soube amar;
E as estrelas nos ares só me lembram olhares
Da linda que eu soube amar;
E assim 'stou deitado toda a noite ao lado
Do meu anjo, meu anjo, meu sonho e meu fado,
No sepulcro ao pé do mar,
Ao pé do murmúrio do mar.

Um conceito de Infelicidade

Reconheço: para escrever um texto conceituando a infelicidade, a gente precisa ser expressamente infeliz e já ter experimentado essa característica em todos os aspectos e áreas da vida (cretina) pela qual estamos passando correndo.
Ser um infeliz, é acordar de manhã e ter certeza plena de tudo o que vai acontecer no seu dia. Se preocupar com o relógio que roda freneticamente como se quisesse te torturar a cada tic TAC que faz.
É encostar num poste pra esperar um ônibus cheio de gente fedorenta e sentir um medo que você não sabe de onde vem nem pra onde vai. Só sabe que é violento e te transforma num ser desprezível e frágil.
Andar sem rumo, como qualquer cego abandonado, ver as coisas da vida e querer ser cego, depois se culpar disso.
A infelicidade é a eterna insegurança sobre as suas afirmações pessoais, a incerteza sobre o que você declara ser mas, tem certeza plena de que não é.
Esse estilo de vida é caracterizado, entre outras coisas, por ter certeza plena de que todo mundo é feliz, menos você.
Você passa dias e dias a fio julgando e achando que todos estão errados, mas faz sentido o resto da humanidade estar errado e só você certo? Meu jovem, você acha que é Jesus por acaso? Acorda pra vida!
A sua vida é um fracasso, uma eterna perda de tempo. Sua família, seus amigos, seus amores fracassados, todos. Eu disse todos que te conheceram tentaram amá-lo e fazê-lo se sentir bem, mas você há séculos foi marcado com o fracasso e com a tristeza, e acredite, você terá que conviver com ela pelo restinho de vida medíocre que te sobrar.
Portanto, acorde todos os dias com sua rotina traçada.Quando te perguntarem se estás bem, diga que sim pra não estragar a vida dos outros com o estrago que é a sua. Faça tudo o que puder para agradar os outros, porque agradar a si mesmo, como já percebestes, é inútil.Então, não seja idiota e faça alguém feliz porque ele(a) ao contrário de você, te ama.

Se destrua, mas faça alguém feliz.

Isso é tudo. Da infelicidade, já não há mais nada a dizer: ela é o silêncio das lágrimas secas que jorram do nosso olhar 24 horas por dia. O que nos restar é fazer com que ninguém as veja.

Por Ítalo Chesley

A carta queimada

O dia do aniversário, o único do ano que pra mim muda alguma coisa, é muito interessante porque é nele que você sabe se significa ou não algo para as pessoas que se dizem suas amigas.

Das pessoas que eu mais esperava receber algo, nada apareceu, mas por outro lado, aconteceram coisas muito especiais que marcaram o dia do meu aniversário para sempre, as quais vou descrever em ordem cronológica para os senhores:

Meu primo me mandou um e-mail emocionantes, que para mim foi como jorrar água da rocha. Não que eu não esperasse dele tamanho carinho e amor, mas porque eu sei que não mereço a devoção expressa em suas palavras.

Meus amigos passaram a tarde toda comigo andando atrás de um bendito presente pra mim, o que foi muito bom porque tivemos ricas oportunidades de conversar sobre muitos assuntos, embora apenas estivéssemos cumprindo a nossa sina findissemanal.

Minha tia e primas me ligaram e conversamos por vários minutos, o que foi muito bom porque elas são muitíssimo especiais para mim.

Meu grande amigo Müller me ligou dando os parabéns, algo que eu não esperava e não contava de forma alguma.

Saí com meus pais e irmão: fomos comer uma pizza para comemorar o meu aniversário.

Saí com meus amigos, e o momento triunfal do “meu” dia: um deles escreveu uma carta e denominou-a “A carta queimada”. Ao longo da vida dele, serão escritas mais 32 cartas com esse título e a minha foi a primeira. O conteúdo da carta, falava profundamente não só da nossa , mas da nobreza amizade como um todo.Depois de ler, ele queimou a carta e disse que a forma de guardar o conteúdo daquele papel, deveria ser diferente dos outros: ele deveria ser guardado no coração. Ainda consegui salvar um pedacinho da carta, e nele estava escrito: SEMPRE.

Providencial!

Enfim, esse aniversário me deixou a conclusão de que, o que eu não significo pras pessoas que não se lembraram de mim não é o mais importante.
Mas, as pessoas que se lembraram de mim, essas têm marcas especiais que, por mais singelos que tenham sido seus gestos, jamais se apagarão da minha memória.

O valor dos presentes que as pessoas nos dão, é muito mais que monetário: reflete o grau de intimidade e o quanto elas se importam conosco.

As conclusões expressas nesta postagem não são categórias, nem imutáveis.

Obrigado por ler a postagem

Ítalo Chesley